quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Porsche Carrera GT

Porsche Carrera GT

Escrever sobre carros além de apaixonante é divertido, às vezes pode ser um tanto difícil, seja porque as informações são escassas ou extremamente abundantes. Particularmente em relação a este artigo, deve-se ao segundo aspecto. A super máquina que apresentaremos aqui é um caso típico de superlativo em praticamente todos os seus aspectos, a começar pela quantidade de informações técnicas que ela dispõe. Na verdade, produzir o artigo sobre o Porsche Carrera GT foi ao mesmo tempo surpreendente e trabalhoso, ao nos depararmos com sua extensa lista de predicados.


O nascimento daquele que talvez seja o melhor Porsche de todos os tempos, veio em junho de 1998, por ocasião da 16ª vitória em LeMans conseguida pela marca alemã. Na ocasião, quiz-se produzir uma versão de "rua" de um dos mais consagrados e famosos carros já produzidos para as pistas. Dois anos mais tarde, no Salão de Paris de 2000, o mundo conhecia o conceito que traria para o "dia-a-dia" a realidade vivida pela Porsche dentro das pistas durante mais de 50 anos. O sucesso fez com que os alemães anunciassem em 2002, durante o Salão de Detroit a produção oficial do modelo.

Mas a imprensa e público tiveram que esperar ainda alguns meses, para que apenas no Salão de Genebra de 2003 (Março), pudessem ver a versão definitiva do carro a ser produzido para o mercado no fim do mesmo ano. Em relação ao conceito visto em Paris, pouco mudou. Alguns pequenos aspectos estéticos, como os conjuntos óticos (lanternas e faróis), ou disposição, formato e dimensões de tomadas e saídas de ar, estas devido à necessidades funcionais. Em termos mecânicos, motorização (entenda-se potência) e suspensão foram revistos e ampliados, a fim de produzir um legítimo carro de corrida para as ruas.

E parece que a missão dos engenheiros da Porsche não apenas foi cumprida, como superada. O Carrera GT parece ser um carro capaz de rivalizar com máquinas como o Lamborghini Murciélago ou o todo poderoso Ferrari Enzo. Não apenas devido aos números relativos a desempenho, mas por toda uma série de adventos tecnológicos que foram utilizados para produzir um veículo cujas qualidades podem ser igualadas por um reduzidíssimo número de candidatos. Se somarmos a isto o nome Porsche, a combinação torna-se praticamente imbatível.

Quando se pensa em fabricar um carro de corrida, não basta que se tenha um motor forte, mas sobretudo há que se preocupar com um conjunto equilibrado. O primeiro passo para se atingir esta meta, é um chassis de qualidade.

Não foi diferente com o Carrera GT. A construção do carro baseia-se em uma estrutura monocoque, que abriga o compartimento dos ocupantes, serve para fixação da suspensão e ao redor do qual será colocada a carroceria. A estrutura foi construída em um compósito de fibra de carbono, alumínio e polímeros (plásticos).

De fato, é no material empregado para confecção do monocoque, que reside o "segredo" do chassis. O compósito basicamente consiste de um "sanduíche", em que matrizes de plástico ou alumínio (conforme a função) em formato de colméia, são impregnadas por resina e fibra de carbono e curadas em uma autoclave, sob elevados regimes de temperatura e pressão, por algumas horas. As peças resultantes do processo tem elevado padrão de rigidez estrutural. Ao monocoque construído segundo este processo, é parafusada uma estrutura (também em compósito) para fixação traseira do drivetrain (motor, transmissão e câmbio) e da suspensão traseira. Ainda sobre o monocoque, são parafusadas as chapas moldadas em fibra de carbono, que compõem a carroceria. Tudo exatamente da mesma forma que os carros de corrida da marca.

Logo atrás do monocoque, vem a parte responsável por dar movimento ao excelente conjunto chassis/carroceria. O motor escolhido, também constitui um elemento totalmente novo nos carros de produção da marca. Os tradicionais motores boxsters, aqui deram lugar a um inédito V10 com bancadas a 68º e cabeçotes de quatro válvulas por cilindro, equipados com válvulas de escape refrigeradas a sódio. Com diâmetro de 98 mm e curso de 76 mm, o motor tem 5.7 litros de deslocamento. Os componentes foram todos minuciosamente desenvolvidos para proporcionar um funcionamento preciso, confiável e “suave”, sob as 8400 rpm que ele é capaz de atingir.

Para garantir este regime adequadamente, um bloco em alumínio tão compacto como pode ser um V10 de quase 6 litros, cujas galerias de lubrificação e arrefecimento incorporadas ao bloco, sistema de lubrificação com 10 (dez!) bombas, virabrequim e comandos de válvulas harmonicamente balanceados, estes últimos acionados por corrente, bielas em titânio, pistões em alumínio forjado, dois coletores de admissão de fluxo duplo - um para cada bancada de cilindros - e ainda um acelerador eletrônico para cada bancada, sistema VarioCam das válvulas de admissão, que varia continuamente a abertura das válvulas de acordo com o regime de funcionamento e exigências do motor em até 40º.

O gerenciamento adequado do propulsor, veio através da adoção de 2 (dois) módulos Bosch Motronic ME7.1.1, sendo novamente um para cada bancada de cilindros. Por toda esta tecnologia espera-se muita potência. E há. São 605 cavalos a 8000 rpm e 60.1 kgfm de torque a 5750 rpm, transferidos às rodas traseiras através de uma embreagem cerâmica de duplo platô, uma caixa de câmbio manual de seis velocidades e diferencial multi-platô com blocagem sob maiores níveis de potência e velocidade. O resultado não poderia ser outro, senão 3.9 segundos para atingir os 100 km/h, 9.9 segundos para os 200 km/h, 11.4 segundos para o quarto de milha e 330 km/h de velocidade máxima!!!

Diante de tamanha fúria e, mesmo com um chassis rígido e equilibrado é preciso um completo contingente de sistemas para garantir controle sobre a fera. Ao ASR (Anti Slip Regulation) cabe a função de impedir que as rodas girem em falso sob condições severas de aceleração. A suspensão é independente nas quatro rodas e usa um sistema Double Wishbone especialmente concebido para o modelo, com uma configuração onde o conjunto mola/amortecedor fica posicionado horizontalmente, fora do corpo da suspensão a fim de diminuir o peso do conjunto e entre outras coisas, produzir respostas mais rápidas no seu curso. As grandes rodas dianteiras de 19 polegadas e traseiras de 20, são em magnésio forjado, também para aliviar o peso do conjunto suspenso, em relação às tradicionais em alumínio e para serem mais resistentes. Elas recebem pneus Michelin 265/35 ZR 19 e 335/30 ZR20, respectivamente.

A colocação do motor em posição traseiro-central, longitudinal e com câmbio transversal, garante um centro de gravidade bem localizado. Somado a isto o cárter seco e a forma e posição da instalação do sistema de transmissão, favorecem o rebaixamento o centro de gravidade. Estas características são particularmente favoráveis a um bom equilíbrio dinâmico do carro em elevados níveis de velocidade ou durante uma curva. A preocupação com a estabilidade e dirigibilidade também se faz presente pelas curvas da carroceria e do assoalho plano com difusores do GT, que antes de conferir excelentes níveis aerodinâmicos procuram privilegiar o downforce.

Para auxiliar nesta função, o aerofólio traseiro eleva-se automaticamente em até 6 polegadas, de acordo com a velocidade, evitando que o carro “decole” em alta velocidade.
Aliás a preocupação com a segurança é presente no projeto, seja pela concepção do monocoque, painéis das portas que acomodam barras de aço H400, ou nas peças à frente do chassis, que tem a função de servir como elementos de deformação na eventualidade de uma colisão. Em caso de um capotamento, na moldura do pará-brisas há uma estrutura contendo o mesmo aço, bem como o duplo santantonio atrás de cada banco, para porteger os ocupantes. O sistema de freios utiliza discos de cerâmica de 380 mm, especialmente desenvolvidos pela Porsche, o PCCB ou Porsche Ceramic Composite Brake, cujo uso e patente da tecnologia pertence à empresa alemã. O material favorece a fabricação de discos mais leves e menos suscetíveis ao fading. Naturalmente o sistema conta com assistência ABS. Internamente duplos airbags frontais e laterais.

Esteticamente, não há muito que se discutir. Embora este seja um aspecto subjetivo, dificilmente encontraremos alguém a quem as linhas do Carrera GT não agradem. E como já foi dito, mais do que moldar curvas e contornos atrentes, cada entrada ou saída de ar tem papel funcional. Sua silhueta, apesar de inovar em alguns aspectos em relação aos mais tradicionais modelos, ainda conta com sinais típicos de outros carros da marca, como os pará-lamas dianteiros elevando-se acima do capô, ou a traseira que insinua as formas do também conversível Boxster.
Por dentro, uma equilibrada mescla entre a simplicidade de um carro de corrida e toques de luxo e sofisticação. Segundo os projetistas, o mais novo Carrera não deveria conter nada que não fosse essencial. Assim, no painel atrás do volante apenas a instrumentação necessária para as principais funções do carro: velocidade, conta-giros, combustível e algumas luzes espia. No console central – feito em fibra de carbono para também funcionar como elemento estrutural – a alavanca de câmbio na mesma altura do volante para favorecer trocas rápidas, controles do ar condicionado, do sistema de som Bose e navegação por satélite. Os materiais, além do couro, são magnésio ou alumínio, tendo sempre em conta o alívio de peso. Outras partes internas ainda são de fibra pintada na mesma cor da carroceria. O pequeno porta-malas sob o capô, vem com um conjunto de malas pequenas próprio e no mesmo couro dos revestimentos.

Os puristas da marca podem afirmar que o carro desvirtuou o conceito Porsche, abandonando os famosos motores boxster ou as linhas estéticas que tornaram o Carrera famoso mundialmente. Outros mais exigentes podem dizer que há carros mais completos, com mais tecnologia, mais potência, mais bonitos, maior nível de desempenho e ainda colocar uma série de defeitos neste Carrera. É verdade, o Ferrari Enzo e o Lamborghini Murciélago são mais rápidos e velozes que o bólido da Porsche, mas quem e onde se pode desfrutar desta pequena diferença?! Querendo -46-ou não, há que se admitir que este sem dúvida é o melhor Porsche de todos os tempos. Se você concorda e quer ter um, então corra, pois serão produzidas apenas cerca de 1500 unidades ao módico preço de US$ 440.000,00 sem impostos!!!

Motor: 5.7 litros, 10 cilindros em "V", cabeçote e bloco em alumínio, traseiro-central, longitudinal, 4 válvulas por cilindro DOHC, injeção Bosch Motronic ME7.1.1.

Potência: 605 cv a 8.000 rpm

Potencia Específica:106.14 cv / litro

Torque: 60,1 kgfm @ 5 750 rpm

Aceleração: (0 - 100km/h) 3,9s

Velocidade Máxima: 330 km/h

Câmbio: Manual, 6 velocidades

Freios: cerâmicos, internamente ventilados de 380 mm nas quatro rodas.

Pneus: Dianteiros: 265/35 ZR 19" Traseiros: 335/30 ZR 20"

Dimensões:

Comprimento: 4613 mm

Largura: 1921 mm

Altura: 1166 mm

Entre-eixos: 2730 mm

Peso: 1380 kg

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